Tudo começou quando um certo rapaz, até então pouco sociável e meio desligado, foi à festa de uma colega de faculdade e despretenciosamente se deparou com uma moça deslumbrante e muito comunicativa, que o hipnotizou com seus belos olhos. Naquele mesmo dia, depois de uma agradável conversa sobre Direito e faculdade, ele pediu seu número.
Os dois se encontraram em um restaurante espanhol, o finado Castelli, e pode-se dizer que surpreenderam bastante com a companhia um do outro. O rapaz marcou o encontro em um restaurante na Washington Soares, sem saber que a moça morava na Bezerra de Menezes, do outro lado da cidade. Em defesa do rapaz, pode-se dizer que a moça não revelou-lhe o endereço, talvez por pensar que ele era um psicopata, e não um menino inteligente, que puxava assuntos nada óbvios e nada comuns, mas ainda assim intrigantes. O encontro inesperado terminou com um beijo roubado e um sorriso conquistado, enquanto a moça entrava em seu Honda Civic.
Aquele jantar os levou ao cinema do iguatemi. O rapaz compareceu com uma blusa vermelha quadriculada aberta por cima de uma blusa branca. O cinema até que foi divertido. Rendeu mais uma saída a uma pizzaria, onde presenciaram um maluco pedido em casamento no qual o pai mandava que o noivo se ajoelhasse e vibrava porque a filha estava desencalhando. Os dois concordaram que, se um dia noivassem, tentariam fazê-lo de uma forma mais sutil e talvez um pouco mais discreta.
Ocorre que a Universidade de Fortaleza era muito grande e os encontros casuais de corredor não aconteciam todos os dias. A moça até topou um convite para ir ao cinema pela segunda vez, quando foram assistir a Bela e a Fera. O rapaz achou que havia arrasado, já que a moça era fã de Bela e a Fera, mas não se deu conta de que o filme havia estreado há mais um mês e a moça já o havia assistido. Entretanto, ela foi gentil e omitiu essa informação dele, o que não o impediu de descobrir sozinho. Bem, pelo menos havia pipoca e um ombro para deitar. Depois eles foram ao Outback, conversaram sobre signos e trocaram muitos olhares. Mas, se a história deles fosse uma série, seria uma daquelas em que o roteirista é muito bom, mas o orçamento é modesto, porque havia vários hiatos.
Eles se reencontraram em uma festa de formatura meses depois. Ocorre que, por coincidência, a colega do rapaz estava se formando junto de sua turma. E, veja só, depois de todo esse tempo, ela continuava sendo prima da moça loira de olhos azuis, que, por sinal, dançava forró muito bem. O rapaz não conseguiu acompanhar o ritmo da moça, então decidiu chamá-la para fazer algo em que ele era um pouco melhor, beijar e virar copos de drink de uma vez. O rapaz, muito responsável, foi à festa com o motorista de aplicativo, mas a moça insistiu que o deixaria em sua casa, pedindo ao seu irmão, menor de idade, para dirigir um veículo e deixá-lo por lá. No dia seguinte, o rapaz agradeceu a carona e a mandou um bom dia, mas a moça o ignorou, atitudes contraditórias que até hoje permanecem sem explicação. Talvez a ressaca estivesse bem forte. Para os dois.
Pois é. A vida as vezes é uma estrada torta, e a deles deu muitas voltas... Até que passaram por uma quarentena e se reencontraram em um certo barzinho de nome Donkey Head para tomar uma cerveja artesanal. A moça continuava sem prática para virar drinks e se engasgou com cerveja, enquanto o rapaz precisou esperar que ela fosse ao banheiro para comer uma quantidade enorme de batata frita com cheddar num curto período de tempo, já que a moça avisou apenas depois que a comida chegou que não gostava comer enquanto bebia, e o rapaz não queria comer sozinho, sem ter que falar de boca cheia. Naquele momento, talvez não soubessem ainda que seriam a alma gêmea um do outro, mas a conversa era boa e a companhia valia pena.
Foram a força e o suporte um do outro em muitas batalhas, até que oficializaram o relacionamento deles com um lindo pedido de namoro em meio a pétalas, patinhos amarelos e muito carinho fofo. Nossa Senhora talvez os olhasse muito naquele momento, pois foram muito abençoados depois disso, inclusive com uma linda viagem a Gramado, onde o rapaz pode se deliciar com 30 tipos diferentes de Fondue, e a moça descobriu que seu paladar para vinhos ficava um pouco mais aguçado depois que o teor alcoolico subia.
A moça viu crescer o gosto peculiar do rapaz por colecionar action figures de marvel e star wars até o dia em que recebeu algumas delas de presente. Ao tocar na caixa, teve certeza que eram action figures, e estava certa, porque eram de fato, mas de "Bela e a Fera", e não de outra franquias, talvez porque ela fosse de fato a Bela, mais bonita que a Emma Watson, que metaforicamente curava uma Fera, outrora nada sociável, e agora desajeitadamente descolada. No final das contas, voltaram para a Bela e a Fera, porque o mundo da voltas, e o restaurante que mais gostam de ir até hoje ainda é o Outback, muito por causa da cortesia de pão australiano, mas também porque a carne é gostosa.
Aprenderam que a companhia vale mais que a programação e que uma noite de chuva assistindo filme pode ser tão divertida quanto uma viagem ao mundo ou ganhar na mega-sena, se estiver ao lado da pessoa certa. Brincaram, aprenderam, cresceram e noivaram. Celebraram o prelúdio da união no salão de festas deles, e, desde então, o casal tem passado por um divertido processo de organizar essa festa maravilhosa, que vai solidificar a união deles diante dos olhos de Deus. É uma alegria que só não é maior do que a vontade de escrever novos capítulos para essa história.