Tudo começou quando um rapaz meio desligado e pouco sociável foi à festa de aniversário de uma colega de faculdade. Lá, ele se deparou com uma moça deslumbrante, muito comunicativa e dona de olhos hipnotizantes, que logo ele descobriu ser prima da aniversariante. O papo sobre Direito rendeu, o número de telefone foi anotado e o primeiro encontro aconteceu no finado restaurante Castelli. Ele, sem saber, marcou o jantar do outro lado da cidade. Ela, por precaução, vai que ele era um psicopata, não revelou o endereço. Mas a noite, regada a assuntos nada óbvios, terminou com um sorriso conquistado e um beijo roubado na porta de um Honda Civic.
Depois veio o cinema no Iguatemi, com direito à clássica camisa xadrez dele, e uma ida à pizzaria, onde presenciaram um pedido de casamento bizarro e prometeram que, no dia deles, seriam bem mais discretos. A rotina na Unifor nem sempre ajudava os encontros casuais, e a história ganhou capítulos em hiato. Teve até uma sessão de A Bela e a Fera em que ele achou que estava arrasando, sem notar que o filme já tinha estreado há um mês e ela já havia assistido. Ela, gentil, fingiu costume pelo bem da pipoca e do ombro para deitar.
Meses depois, o reencontro veio justamente na formatura dessa mesma prima e amiga em comum. Como ele não acompanhava o passo dela no forró, compensou sugerindo virar drinks. A noite acabou com o irmão menor dela dirigindo para deixá-lo em casa e um vácuo misterioso no dia seguinte que até hoje segue sem explicação, culpa da ressaca, com certeza.
A vida deu voltas, passamos por uma quarentena, até que o destino se reorganizou em uma mesa no Donkey Head. Entre goles de cerveja artesanal e um rapaz devorando batatas com cheddar às pressas, a certeza voltou: a conversa era boa e a companhia valia a pena.
Logo o namoro foi oficializado entre pétalas, patinhos amarelos e muito carinho. O companheirismo virou força nas batalhas e nos levou a Gramado, onde ele se fartou com fondues e ela descobriu que seu paladar para vinhos melhorava junto com o teor alcoólico. Com o tempo, ela aprendeu a aceitar o gosto dele por action figures, até ser surpreendida com miniaturas da Bela e a Fera, uma metáfora perfeita para a Bela que transformou o rapaz outrora antissocial em alguém desajeitadamente descolado. No fim, a vida sempre nos devolve ao início, e o Outback continua sendo nosso lugar favorito, pelo pão australiano de cortesia, claro, mas também pelo carinho.
Aprendemos que uma noite de chuva assistindo a um filme pode ser melhor que ganhar na Mega-Sena se estivermos com a pessoa certa. Brincamos, crescemos e noivamos de forma sutil, bem longe daquele escândalo da pizzaria. Hoje, enquanto organizamos a festa que vai solidificar nossa união diante de Deus, percebemos que a nossa alegria só não é maior do que a vontade de escrever os próximos capítulos.